CNV relembra os 50 anos e investiga Massacre de Ipatinga

Dar voz aos sobreviventes e familiares é o principal objetivo de audiência pública que será realizada em Ipatinga, MG; mas a CNV e a sociedade querem obter informações que ajudem a elucidar se o número de vítimas é maior

De: Comissão Nacional da Verdade, 20/10/2013

A Comissão Nacional da Verdade realiza, no dia 7 de outubro, em parceria com o Fórum Memória e Verdade do Vale do Aço e com a participação da Comissão Estadual da Verdade de Minas Gerais, uma audiência pública sobre os 50 anos do Massacre de Ipatinga, episódio de grave violação dos direitos humanos em que pelo menos oito pessoas foram mortas com tiros de metralhadora pela PM mineira em um dos portões da Usiminas.

A atividade da CNV é coordenada pelo Grupo de Trabalho Ditadura e Repressão aos Trabalhadores e ao Movimento Sindical e atende reivindicação da sociedade civil.

Com a audiência, o objetivo da comissão é dar voz aos sobreviventes e familiares de mortos no massacre, mas também apurar os fatos ocorridos. A principal dúvida que recai sobre o caso é quanto ao número de vítimas, que pode ser bem maior que o oficial.

O Massacre de Ipatinga aconteceu há exatos 50 anos, em 7 de outubro de 1963. Forças policiais a serviço da Usiminas atiraram contra operários da então estatal e de empreiteiras a serviço da companhia. A repressão aos trabalhadores constitui um dos episódios mais simbólicos das graves violações de direitos humanos de que os trabalhadores foram vítimas na história do país, numa conjugação de violações de liberdades civis e políticas e de liberdades socioeconômicas.

De acordo com a pesquisa realizada pelo GT Ditadura e Repressão e pelo Fórum Memória e Verdade do Vale do Aço, os trabalhadores dos primórdios da Usiminas eram submetidos a condições salariais, de trabalho e de vida precárias e violadoras de qualquer concepção de justiça social. Para que a pauta reivindicatória e o comportamento dos trabalhadores não saíssem do controle da empresa eles eram mantidos sob o controle de violenta vigilância privada e estatal.

A tragédia anunciou-se na véspera. Em 06 de outubro de 1963, após revista abusiva e prenúncio de conflito entre operários e vigilantes, policiais a serviço da vigilância da Usiminas realizaram uma ação violenta de espancamento e prisão de cerca de 300 operários do alojamento Chicago Bridge. Diante de tal violência, acirraram-se os ânimos dos operários, que decidiram não entrar na Usiminas no dia 07 de outubro e permaneceram em frente a um de seus portões exigindo melhor tratamento pela vigilância da empresa e pela PM.

Diferentes estimativas indicam que de dois a cinco mil trabalhadores foram até a frente da empresa, onde foram encurralados por uma cerca e um caminhão com 19 policiais militares armados que portavam uma metralhadora. A inabilidade da empresa e das forças de segurança privadas e estatais em lidar com a revolta operária após uma noite de espancamento e prisões arbitrárias resultou em um tiroteio com oito mortos e 79 feridos, segundo os dados oficiais. Estes números são muito controversos e estimativas alternativas apontam para cerca de 30 mortos.

DEPOIMENTOS – No dia 7, a CNV deverá colher depoimentos de vítimas diretas e familiares e convidou a diretoria atual da empresa no intuito esta inicie colaboração na apuração dos fatos e responsabilidades pelas violações em 1963.

Além da audiência pública, o Fórum Memória e Verdade do Vale do Aço, organização da sociedade civil autora do pedido que levou à organização da audiência, está realizando uma série de eventos, a partir da próxima sexta-feira (4 de outubro), em Ipatinga, para divulgar para a população da cidade o que foi o massacre. Além de audiências sobre o tema, estão previstas atividades culturais.

Saiba mais na página do movimento no Facebook:https://www.facebook.com/massacre.ipatinga

Confira a programação completa dos atos públicos programados aqui

A CNV transmitirá ao vivo pela internet, via celular, a audiência pública dos 50 anos do massacre. Assista em: http://www.twitcasting.tv/CNV_Brasil

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